<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814</id><updated>2012-01-18T19:25:57.201-08:00</updated><title type='text'>Blogue de Claudio Cezar Henriques</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-7770401865187868413</id><published>2011-11-02T16:47:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T17:36:46.461-07:00</updated><title type='text'>Crônica (09)</title><content type='html'>DUAS CRONISTAS CONVIDADAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais duas crônicas linguísticas para os leitures do blogue. São textos produzidos por duas alunas do quarto período de Língua Portuguesa da UERJ (turma de 2010-2 do Instituto de Letras). O tema era MORFOLOGIA do português, assunto de nosso curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A VIDA COM OS ADJETIVOS (por Vanessa Gomes Teixeira)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de inventar um movimento novo de libertação. Resolvi libertar a classe de palavras mais injustiçada da língua portuguesa, os adjetivos. Não apenas por esse motivo, mas também porque eles são os seres mais bipolares da nossa gramática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os adjetivos são tão bipolares que, se não modificarem o substantivo, mudam de classe, como no caso: “Esse homem está doente” e “O doente foi atendido pelo médico”. Na primeira frase, a palavra “doente” funciona como adjetivo, porque modifica o substantivo “homem”; na segunda, como substantivo, pois não muda ninguém, apenas designa o ser sobre o qual queremos falar. Outro exemplo são as frases “O menino rápido comeu seu lanche” e “O menino comeu rápido seu lanche”. Na primeira, “rápido” é adjetivo porque atribui uma característica ao menino citado; já na segunda frase, a palavra desempenha o papel de advérbio porque, nessa sentença, “rápido” não está se relacionando com o substantivo “menino” e sim expressando o modo como ele comeu. O adjetivo muda tanto que, além de mudar o substantivo, ele pode modificar seu próprio sentido – dependendo da posição que ocupa: a expressão “uma menina pobre”, por exemplo, tem o sentido diferente da expressão “uma pobre menina”, mesmo sendo ambas compostas pelas mesmas palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as gramáticas tradicionais, a definição de adjetivo é “palavra que modifica o substantivo, atribuindo-lhe uma característica”. Vendo dessa forma, ele parece apenas um figurante, que serve de apoio para o protagonista que “designa os seres em geral”. Mas será que ele é um somente um acessório?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O parceiro do adjetivo é o substantivo, classe que tem sua própria independência. Substantivos têm seu sentido completo, adjetivos precisam dos nomes com que irão se relacionar. Porém, não são apenas enfeites, pois afinal são os termos que dão a personalidade de tudo que existe no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a primeira coisa que fizemos foi nomear as coisas, a segunda, com certeza, foi caracterizá-las. Se os substantivos nos permitem categorizar e organizar o mundo, os adjetivos nos permitem especificar esse mundo no qual vivemos. Eles também nos possibilitam esclarecer qual a posição em que nos colocamos ao construir uma sentença e qual é a nossa intenção ao expressá-la. Falar “A menina viu o menino” é bem diferente de “A menina insensível viu o menino triste”. Isso ocorre porque os adjetivos nos permitem demonstrar qual é a nossa visão ao analisarmos uma pessoa ou situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro recurso que também nos ajuda no processo de posicionamento é a capacidade que essa classe de palavras tem de comparar dois seres ou ressaltar uma qualidade: assim como o comparativo dos substantivos, o superlativo dos adjetivos nos ajuda a individualizar o nome, apresentando características que somente eles possuem ou que eles têm em maior quantidade do que resto do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo geral, os adjetivos não qualificam apenas os nomes, eles transformam a regra em exceção, ou seja, transformam um simples “mais um” em algo único no mundo. Isso porque todos somos categorizados como objetos ou seres, homens ou animais, machos ou fêmeas; mas cada um de nós possui características que nos diferenciam do resto, aquelas que ninguém mais tem e que nos fazem ser exatamente quem somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LÍNGUA DINÂMICA (por Claudia Regina de Oliveira)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfil das provas de língua portuguesa, seja nos vestibulares, seja nos concursos públicos, vem mudando nos últimos anos. A grande preocupação de outrora era a avaliação dos conhecimentos gramaticais com comandos mais diretos como "Identifique o processo de formação de palavras dos itens abaixo", por exemplo. Atualmente percebemos que há mais questões que integram vários assuntos, podendo uma pergunta de morfologia depender do conhecimento de semântica do concursado. É nesse momento que a percepção da própria língua, por parte do candidato, fará toda a diferença para o seu sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A derivação imprópria, ou conversão, é um item que costuma figurar nas gramáticas dentro dos processos de formação de palavras. Em suma, trata-se do uso de uma palavra em uma classe gramatical diversa da original. Um caso típico é a transformação de verbo em substantivo com a anteposição de um artigo ou um pronome: "o cantar; meu cantar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem coloquial é uma fonte em potencial desse processo. Basta observar frases retiradas do cotidiano tais como: "A garota era &lt;em&gt;crânio&lt;/em&gt;" e "Esse Ricardo é muito &lt;em&gt;comédia&lt;/em&gt;".  Nelas, os substantivos em destaque assumiram valor de adjetivos: &lt;em&gt;crânio&lt;/em&gt; pode ser substituído por inteligente e &lt;em&gt;comédia&lt;/em&gt; por engraçado. Em “O preço do imóvel caiu &lt;em&gt;bonito&lt;/em&gt;”, &lt;em&gt;bonito&lt;/em&gt; é um adjetivo com função de advérbio de intensidade, se o interpretarmos como "muito", ou de modo se pensarmos em "rapidamente". Em "Soltou um &lt;em&gt;caraca&lt;/em&gt; que o denunciou", uma interjeição típica de um falar regional, uma gíria, foi substantivada. E no exemplo "Vamos esperar &lt;em&gt;papo&lt;/em&gt; de meia hora", &lt;em&gt;papo&lt;/em&gt;, que é um substantivo, atua como preposição acidental (igual a "em torno de"). Por fim, em "Só aceito o &lt;em&gt;sim&lt;/em&gt; como resposta", o advérbio de afirmação funciona como substantivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos preencher um livro com várias sentenças desse tipo e, mesmo assim, não esgotaríamos os exemplos. A língua é dinâmica e, por isso, os estudantes devem constantemente analisar as expressões que ouvem no dia a dia, pois as bancas têm focado questões de interpretação cujas ferramentas estão nos conhecimentos morfológicos, fonéticos, sintáticos, entre outros e esse saber (eis aí um verbo como substantivo) é um grande diferencial que pode definir a classificação, ou não, do concursando. Por isso, atenção! Pode ser que um trecho do "papo cabeça" que você teve com um amigo apareça numa questão de prova. E, para não perder o ensejo, essa "cabeça" de natureza substantiva, aqui, atuou como adjetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: Instituto de Letras, UERJ, 2011&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-7770401865187868413?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/7770401865187868413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=7770401865187868413&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7770401865187868413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7770401865187868413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2011/11/cronica-09.html' title='Crônica (09)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-6907701216936639259</id><published>2011-07-30T03:05:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T17:28:52.636-07:00</updated><title type='text'>Crônica (08)</title><content type='html'>A SINTAXE DESIMPORTANTE&lt;br /&gt;[por Pércio Faria Rios, cronista convidado - aluno do terceiro período do Instituto de Letras da UERJ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava lendo Manoel de Barros, dia desses, numa tentativa semidesesperada de encontrar um tema possível para esta crônica sobre sintaxe. Fracassei. Fracassei com o Manoel, como fracassei com o Elomar, como fracassei com os palavrões; e descobri algo importante: não sou do mundo da sintaxe. Na poesia de Manoel de Barros não via sintaxe, só poesia; na música de Elomar só via música e beleza em sua &lt;i style=""&gt;linguagem dialetal sertaneza&lt;/i&gt;; quando pensei em palavrões, só conseguia relembrar a emoção de uma palavra “baixa” soltada numa hora alta, de extrema paixão. Senti-me parte das desimportâncias deste mundo, numa espécie de abatimento &lt;i style=""&gt;pitadinho&lt;/i&gt; de satisfação. Contudo, continuei lendo o poeta pantaneiro até que me veio o verso: &lt;i style=""&gt;As coisas que não levam a nada têm grande importância.&lt;/i&gt;O início, talvez, do meu &lt;i style=""&gt;desfracasso&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei, imediatamente, nos tão desprezados &lt;i style=""&gt;termos acessórios da oração&lt;/i&gt;, sem tirar, no entanto, a poesia da cabeça. Esses termos são considerados dispensáveis no contexto oracional; são, em contrapartida, imprescindíveis para o entendimento de certos enunciados. Pensei: &lt;i style=""&gt;um momento! Poesia não se entende.&lt;/i&gt; Manoel concordou mais ou menos comigo. &lt;i style=""&gt;Para entender nós temos dois caminhos&lt;/i&gt;, disse ele: &lt;i style=""&gt;o da sensibilidade, que é o entendimento do corpo, e o da inteligência, que é o entendimento do espírito.&lt;/i&gt; Dei um &lt;i style=""&gt;ok&lt;/i&gt;, esperando pelo complemento do poeta, que logo veio: &lt;i style=""&gt;eu escrevo com o corpo&lt;/i&gt;. Por trás dessa fala do pantaneiro, entretanto, surgiu-me uma certa visão de uma certa dança: corpo e espírito, num bolero. Manoel escreve com o corpo. Só que não poderia dizer isso sem o auxílio do adjunto adverbial de instrumento, &lt;i style=""&gt;com o corpo&lt;/i&gt;. O poeta escreve, mas isso não é poesia. O poeta escreve &lt;i style=""&gt;com o corpo&lt;/i&gt;, e isso sim é poesia! Corpo e espírito: poesia e sintaxe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adjunto adverbial é esse termo acessório, dispensável, mas que introduz na oração uma circunstância, referindo-se geralmente ao verbo. É indispensável à poesia, que dispensa tudo, menos as coisas dispensáveis deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manoel de Barros não para por aí sua defesa dos oprimidos pela importância: &lt;i style=""&gt;as coisas que não pretendem: pedras que cheiram água, homens que atravessam períodos de árvore, se prestam para poesia&lt;/i&gt;. O poeta continua contando com as desimportâncias da linguagem para defender as desimportâncias da poesia: não poderia ele, sem o aposto &lt;i style=""&gt;pedras que cheiram água, homens que atravessam períodos de árvore&lt;/i&gt;, outro termo acessório da oração, fazer uma defesa tão bela. O aposto se relaciona com o termo anterior. Neste caso, o aposto que Manoel ab-usou é enumerativo, vem depois de dois pontos, para explicitar ou exemplificar qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia encontra-se, de fato, na periferia de todas as coisas, fora do núcleo, das obrigatoriedades. Diria o professor de Português: &lt;i style=""&gt;ah, é como o adjunto adnominal!&lt;/i&gt; Manoel mudaria de assunto. &lt;i style=""&gt;As crianças escutam a cor dos passarinhos&lt;/i&gt;, diria ele. O professor replicaria: &lt;i style=""&gt;pois é, Manoel, &lt;/i&gt;dos passarinhos &lt;i style=""&gt;é adjunto adnominal. Está fora do núcleo do objeto direto&lt;/i&gt;, a cor, &lt;i style=""&gt;e indica posse&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei que a poesia delirante da palavra não se desse bem com a sintaxe e me enganei. Manoel de Barros me provou o contrário: &lt;i style=""&gt;os cardos que vivem nos pedrouços têm a mesma sintaxe que os escorpiões de areia&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: Instituto de Letras, UERJ, 2011.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-6907701216936639259?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/6907701216936639259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=6907701216936639259&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/6907701216936639259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/6907701216936639259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2011/07/cronica-08.html' title='Crônica (08)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-7961731027718665087</id><published>2011-06-09T14:38:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T14:50:45.712-07:00</updated><title type='text'>Resenha (01)</title><content type='html'>UM GUIA PARA A LEXICOGRAFIA PRÁTICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATKINS, B.T. Sue &amp;amp; RUNDELL, Michael. The Oxford Guide to Practical Lexicography. Oxford: OUPress, 2008, 540p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de obras voltadas para os aspectos práticos da lexicografia não é das mais numerosas. Na língua inglesa talvez esteja a maior possibilidade de se encontrarem livros que tratem especificamente da prática lexicográfica, na qual quase obrigatoriamente há sempre uma boa parte dedicada à discussão sobre como fazer e como não fazer dicionários, produto que, a princípio, é o que se espera de um lexicógrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citemos, entre os principais títulos em língua inglesa, os livros Practical Lexicography: as reader, editado por Thierry Fontenelle (Oxford: OUPress, 2008), Lexicography: an introduction, de Howard Jackson (London: Routldege, 2002), Modern lexicography: an introduction, de Henri Béjoint (Oxford: OUPress, 2000), Teaching and Researching Lexicography, de R. K. Hartmann (Essex: Longman, 2001) e Dictionaries: the art and craft of lexicography, de Sidney I. Landau (Cambridge: CUP, 2001).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum desses trabalhos tem tradução para o português, havendo em nossa língua um número bem mais discreto de obras publicadas nesse campo. Lembremos, a título de ilustração e homenagem, uma das primeiras contribuições para os estudos lexicográficos do português, o livro de Gladstone Chaves de Melo Dicionários Portugueses, publicado em 1947 (Rio de Janeiro: SD/MEC) e o trabalho de Átila de Almeida (e seu pai Horácio de Almeida), com o curioso título Dicionários: parentes e aderentes (João Pessoa: FENAPE, 1988), na verdade uma bibliografia de dicionários “e livros afins”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recente desenvolvimento dos estudos de lexicologia, lexicografia e terminologia no Brasil, sobretudo por conta da atuação do GT da ANPOLL que se dedica a essas três áreas, é uma espécie de contrapartida em relação à falta de iniciativa de nossas editoras de colocarem à disposição dos estudantes universitários a tradução das melhores obras publicadas no exterior, mas já podemos começar a encontrar colegas que se dedicam ao trabalho metalexicográfico (a lexicografia teórica), o qual é em síntese o tema do livro de Sue Atkins e Michael Rundell. Afinal, um guia sobre a prática lexicográfica não deixa de ser um estudo teórico sobre os que os lexicógrafos fazem (este é um dos subtítulos da introdução do livro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para nossos alunos de graduação, futuros profissionais especializados no emergente campo da dicionarística e na linguística de corpus, são referências hoje os livros de Francisco da Silva Borba, Organização de Dicionários: uma introdução á Lexicografia (São Paulo: UNESP, 2003), de Herbert Andreas Welker, Dicionários: uma pequena introdução à Lexicografia (Brasília: Thesaurus, 2004), e a coletânea de artigos organizada por Devino João Zamboim Estudos sobre lexicografia (Araraquara-SP: UNESP, 1993), além de vários estudos esparsos publicados em periódicos e revistas especializadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sue Atkins e Michael Rundell são dois professores e pesquisadores com bastante experiência no assunto que abordam no livro publicado pela Oxford University Press. Atkins foi presidenta da Associação Europeia de Lexicografia (EURALEX) e desenvolveu um método pioneiro na elaboração de dicionários bilíngues extraídos de bancos de dados. Entre suas contribuições mais recentes para a linguística de corpus inclui-se a criação do British National Corpus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michael Rundell, autor de um conhecido Dicionário de Cricket (obviamente não no Brasil), também atua ao lado de Sue Atkins (e de Adam Kilgarriff) num projeto muito bem sucedido. Os três são consultores e professores em cursos e workshops sobre lexicografia e computação lexical oferecidos em várias partes do mundo e organizados pela Lexmasterclass (cf. www.lexmasterclass.com).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Oxford Guide to Practical Lexicography é um livro-texto sobre a feitura de dicionários. A obra mostra o passo a passo de um curso de treinamento de lexicógrafos, mas também se propõe a refletir junto com os leitores sobre o trabalho das editoras e das universidades e sobre o ensino da lexicografia como disciplina acadêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividida em três partes, focaliza em primeiro lugar a “pré-lexicografia” (p. 15-257), discorrendo sobre os tipos de dicionários e seus usuários, a evidência lexicográfica, métodos e pesquisas, o encontro entre a linguística teórica e a lexicografia, o planejamento de um dicionário e a decisão sobre as estruturas de entrada no dicionário. A segunda parte trata da “análise dos dados” (p. 261-380), discorrendo acerca da construção de bancos de dados, a partir, primeiro, das palavras e seus significados e, depois, das unidades lexicais. Por fim, a “compilação das entradas” (p. 383-514), que aborda as alternativas para a construção de entradas monolíngues ou bilíngues e para a etapa de tradução.&lt;br /&gt;Os autores explicam a relevância e a aplicação de teorias linguísticas recentes, como a “teoria dos protótipos” (prototype theory), que postula não serem homogêneas as categorias da língua, e a “moldura semântica” (frame semantics), que consiste em considerar não ser possível compreender o significado de uma palavra sem acessar o conhecimento nela envolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final de cada capítulo, os autores apresentam sugestões de leitura específicas para o assunto principal nele focalizado e acrescentam outras indicações para aprofundamento de tópicos também abordados. Além disso, a Bibliografia final da obra é composta de uma exaustiva relação de referências (p. 514-530), e a ela se segue um índice por assunto bastante pormenorizado (p. 531-540).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aprende-se lexicografia fazendo lexicografia, preparando outras pessoas para fazer lexicografia e conversando sobre lexicografia com os colegas” (p. 9) – afirmam os autores logo no início do livro. Eis então três ótimas motivações para nossos estudos lexicografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Revista MATRAGA, 26, jan.jun/2010 (Rio de Janeiro: Inst. de Letras, UERJ), p. 170-2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-7961731027718665087?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/7961731027718665087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=7961731027718665087&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7961731027718665087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7961731027718665087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2011/06/resenha-01.html' title='Resenha (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-8728532965381671961</id><published>2011-01-26T00:47:00.000-08:00</published><updated>2011-07-30T03:33:49.424-07:00</updated><title type='text'>Poesia (05) e música</title><content type='html'>GRAMÁTICO APAIXONADO, de André Conforte e Walace Cestari&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enrolo a língua e fico à míngua&lt;br /&gt;Não faço uma frase.&lt;br /&gt;Quero de fato fazer desse hiato&lt;br /&gt;De novo uma crase.&lt;br /&gt;Meus versos são feitos em forma de oração&lt;br /&gt;Sem subordinação.&lt;br /&gt;Eu sou sujeito e você minha predicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não leve a mal se eu sou radical nessa minha ideia.&lt;br /&gt;Se você vai embora&lt;br /&gt;O orvalho que chora&lt;br /&gt;É uma prosopopeia.&lt;br /&gt;Não meta fora a mim desse nosso assunto&lt;br /&gt;Nós somos conjunto.&lt;br /&gt;Eu quero ser o seu núcleo&lt;br /&gt;E não adjunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer jeito&lt;br /&gt;Eu quero um tempo perfeito de concordância&lt;br /&gt;Com você a dizer:&lt;br /&gt;"Vem cá, meu amor, que hoje é imperativo&lt;br /&gt;Se concretizar esse substantivo&lt;br /&gt;Artigo que me definiu,&lt;br /&gt;Sem você eu não vivo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com a Norma&lt;br /&gt;Mas isto não é forma de viver feliz.&lt;br /&gt;A Norma é culta&lt;br /&gt;Mas vê se me escuta&lt;br /&gt;Estou por um triz.&lt;br /&gt;Se você fizer questão&lt;br /&gt;Eu lhe peço clemência&lt;br /&gt;Com a máxima urgência.&lt;br /&gt;Dentro do meu coração&lt;br /&gt;Você faz a regência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: CD "Pare, Olhe, Escute", do grupo Passagem de Nível (independente, 2008)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-8728532965381671961?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/8728532965381671961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=8728532965381671961&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/8728532965381671961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/8728532965381671961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2011/01/poesia-05.html' title='Poesia (05) e música'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-4585035249352554057</id><published>2010-11-20T01:47:00.001-08:00</published><updated>2010-11-20T02:26:56.773-08:00</updated><title type='text'>Entrevista (01)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/TOeelYf0a3I/AAAAAAAAACY/ZCMnPOIWLLY/s1600/China%2B-%2BJdeMacau.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 134px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5541572231570942834" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/TOeelYf0a3I/AAAAAAAAACY/ZCMnPOIWLLY/s200/China%2B-%2BJdeMacau.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;AO JORNAL PONTO FINAL, de Macau (China)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffff33;"&gt;&lt;strong&gt;“Ortografia não é língua portuguesa”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Claudio Cezar Henriques, filólogo e escritor brasileiro, está em Macau para uma palestra sobre a reforma ortográfica, hoje na UMAC. Em entrevista, releva a “importância política” do acordo e vinca o interesse comum em que haja uma única ortografia. Que não significa uma única forma de usar a língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hélder Beja [helderbeja.pontofinal@gmail.com]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PONTO FINAL sentou o idioma à mesa para, entre português de Portugal e português do Brasil, entender outras nuances do novo acordo ortográfico. A companhia foi a de Claudio Cezar Henriques, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista da língua, autor de vários livros – entre eles “A Nova Ortografia”. Hoje, pelas 17h30 na sala HG03, o membro da Academia Brasileira de Filologia que mantém o blogue blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com estará na Universidade de Macau para a palestra “Unificação da Ortografia da Língua Portuguesa: uma questão de Política Linguística e de Identidade”, na companhia da professora Ana Lucia de Souza Henriques. E para defender que “a ortografia é uma decisão política, administrativa, e não interfere na língua”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Como é que o Brasil encarou este processo de mudança da ortografia?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claudio Cezar Henriques – No primeiro dia de entrada em vigor da lei [1 de Janeiro] os jornais brasileiros já estavam com a nova ortografia em funcionamento. Como a mudança é pouca em termos percentuais, é muito simples para nós. Houve uma pequena rejeição, até participei em alguns debates com jornalistas, com escritores… Há um sentimento meio romântico, um apego a uma grafia com trema, com acento circunflexo em certas palavras – coisas que tínhamos no Brasil e não eram praticadas em Portugal. Mas isso não é uma questão técnica, é uma questão sentimental. A coisa aconteceu normalmente, o povo aceitou, não houve rejeição do povo. Houve alguns intelectuais reclamando que achavam que isso era uma interferência, que a reforma não tinha sido debatida suficientemente… Não foi debatida suficientemente porque as pessoas não quiseram debater. De repente descobrem que a lei vai entrar em funcionamento e aí se lembram que gostariam de ter debatido. Hoje em dia, nas escolas, media, televisão, tudo usa a nova norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Os ecos de alguma resistência em Portugal ao acordo chegaram ao Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;C.C.H. – Apareceram notícias de que houve em Portugal mais resistência, mas que essa resistência também tende a ser superada. O prazo para a implantação definitiva em Portugal é maior, houve um manifesto, um abaixo-assinado para a assembleia, mas que também não foi acolhido. Não há como haver o retorno para a divergência ortográfica, até porque é do interesse dos dois governos. O ministro da Cultura de Portugal e o ministro da Cultura do Brasil já pleitearam à ONU que o português seja uma língua oficial, já que agora tem uma ortografia só. Porque antes não era possível, a própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa fazia dois textos – um no português brasileiro, outro no português europeu. A minha pergunta é sempre esta: se uma duplicidade ortográfica fosse uma coisa boa, o inglês teria quantas ortografias? E o espanhol? São 22 países que usam o espanhol como língua oficial e só têm uma ortografia. Porque é que o português tinha duas ortografias? A gente que estuda a língua portuguesa sabe que a história da ortografia da língua portuguesa é sempre uma história de conflitos, de alguém que concorda com outro e depois, como dizemos no Brasil, rói a corda, rompe. A história dos acordos ortográficos da língua portuguesa é muito pitoresca, porque são todos acordos que viram desacordos – e o receio era que este também ficasse assim. Mas, pelo visto, já que agora temos oito países na comunidade, é do interesse de todos que tenhamos essa única ortografia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Falava do interesse para os governos. Passa por essa facilidade do português em entrar como língua de instituições internacionais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Este é o principal motivo para que a gente acredite nesta unificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- E aí já entramos no campo da política linguística, de que falará na palestra.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Na palestra sempre focalizo em primeiro lugar a relevância política do acordo ortográfico. Como especialista em língua portuguesa, tenho uma série de críticas à parte técnica do acordo ortográfico, mas coloco isso sempre em segundo plano. Em primeiro plano está a importância de haver uma ortografia unificada. Prefiro uma má ortografia unificada a duas ortografias que também eram más. Aliás, não existe uma ortografia perfeita. Este acordo tem alguns problemas, que também vou mostrar amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Mas nada disso, a seu ver, se sobrepõe à vantagem de haver uma ortografia comum.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Exacto. Essa parte é sempre muito difícil. No Brasil, por exemplo, não pronunciamos o ‘l’ no final das sílabas como em Portugal se pronuncia. Em Portugal fala-se ‘Portugal’, ‘Brasil’, e no Brasil fala-se ‘Brasiu’, ‘Portugau’. E aí, que fazer? Vamos escrever com ‘u’ no Brasil e com ‘l’ em Portugal? Não vai dar certo. Temos que continuar escrevendo com ‘l’, porque há zonas do Brasil onde se diz o ‘l’, como no Rio Grande do Sul. Quando se escolhe uma grafia, toma-se em consideração a pronúncia prestigiada. Nesse ponto o acordo ortográfico foi muito feliz, porque todas as vezes em que existe divergência de pronúncia sobretudo entre Portugal e Brasil, sempre que uma pronúncia é prestigiada num dos países e não é no outro, essa grafia é válida. Por exemplo, não faz sentido dizermos no Brasil ‘aspecto’ e em Portugal se dizer ‘aspeto’, e alguém dizer que vai ser ‘aspecto’. Se a pronúncia é prestigiada, as duas grafias são correctas. Então a gente vai conviver com uma flutuação ortográfica em casos como esse, o que acho que foi uma decisão correcta. ‘Facto’ será também uma palavra de dupla grafia: é correcto ‘facto’ e ‘fato’. Mas, por exemplo, não faz sentido alguém escrever a palavra ‘direcção’ com ‘c’ e ‘ç’. Em Portugal ninguém fala ‘direcção’. E essa foi uma resistência que aconteceu em Portugal, que é aquela mesma resistência romântica que eu estava dizendo sobre o Brasil. Nesse ponto o acordo foi perfeito: se essa consoante não é pronunciada em nenhuma das comunidades que usa a língua portuguesa, essa consoante desaparece. E foi nesse ponto que o percentual de mudanças para os portugueses superou o percentual de mudanças para o Brasil. No Brasil houve mudança no trema, na perda do acento agudo em alguns ditongos, a perda do acento circunflexo em alguns hiatos e o hífen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- A percentagem de mudanças na norma de Portugal é maior. É correcto dizer-se que este acordo aproxima mais a ortografia da norma que se pratica no Brasil?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Essa crítica também não procede, porque a norma que se pratica no Brasil está preservada, mas a norma que se pratica em Portugal também. Aliás, está mais preservada que no Brasil. O caso das consoantes mudas acaba por virar até uma piada. Se a consoante é muda, para que é que está escrita? Porque é que se escreve uma consoante que é muda? Ela podia ser muda, surda e cega, completamente apagada da grafia. Mas veja só: a norma brasileira está abrindo mão da pronúncia de ditongos abertos. ‘Idéia’ não é igual a ‘aldeia’. Nós nitidamente pronunciamos ‘éi’ e ‘ei’. Para os portugueses, esse acento é desnecessário, mas para os brasileiros um acento agudo indica ‘é’ e a ausência de acento agudo indica ‘ê’. Nós vamos ter que nos arranjar com isso. Tínhamos de aproximar as duas ortografias e temos duas realidades fonéticas muito diferentes. Se formos levar em consideração a realidade fonética, não vamos fazer acordo ortográfico nunca, vamos voltar ao tempo do português arcaico, onde cada um escrevia do jeito que queria. É preciso ceder: o Brasil cede um pouco, Portugal cede um pouco e ganhamos todos com o português conquistando mais espaço no mundo. Essa é a grande meta – que a língua portuguesa se fixe como uma língua oficial, aceite nos organismos internacionais e que a gente possa ter portugueses ou pessoas de outros países de língua portuguesa indo para o Brasil, ou brasileiros indo para Portugal, e todos convivendo com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Outro lugar comum desta discussão sobre o acordo é dizer-se que a simplificação empobrece a ortografia e, logo, o idioma.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Não penso assim. E isso foi uma coisa em que houve muita confusão, sobretudo dos não especialistas em língua – jornalistas, escritores. Um membro da Academia Brasileira de Letras deu um pronunciamento num jornal dizendo que era contra o acordo e que não ia seguir, que a editora fizesse o que quisesse com os textos dele. É um depoimento completamente louco, diria até meio irresponsável. Mas justamente por quê? Estava confundindo língua com ortografia. Ortografia não é língua portuguesa. Ortografia não faz parte da gramática. Ensina-se ortografia na aula de português por mera proximidade: cabe ao professor de português ensinar a escrever, mas aquilo que ele ensina pode ser determinado por alguém. No dia que alguém der ordem para que se volte a escrever “ph” em vez de “f”, temos de fazer o quê? Temos de obedecer. A ortografia é uma decisão política, administrativa, e não interfere na língua. A língua não mudou, eu continuo dizendo as mesmas palavras. Imaginemos que nós não escrevêssemos, que só falássemos. A língua mudou porque houve uma reforma ortográfica? Então, essa questão de empobrecer a língua é justamente de confundir ortografia com língua. Vou continuar precisando saber o significado que determinada expressão tem em Portugal e que não é usada no Brasil. Se pegar um livro do Pepetela, vou precisar reconhecer o vocabulário da região dele. O Mia Couto escreve e eu não sei o nome de algumas coisas de Moçambique. A língua não mudou, continuamos com essa multifacetada expressão do português, que é uma língua riquíssima. A reforma, apesar de ter simplificado, não tem a ver com o empobrecimento da língua. O empobrecimento da língua se dá quando essa língua não é valorizada pela própria sociedade que a pratica. Todos nós temos uma grande responsabilidade: Portugal porque é a pátria onde tudo começou, e o Brasil pelo contingente populacional que tem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Também em Macau?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Se Portugal e o Brasil não investirem em Macau no ensino de língua portuguesa, certamente a língua portuguesa vai-se deteriorar aqui. É lógico que há muitos factores que interferem nisso, não é apenas a acção política de um Governo que vai impedir isso, mas pode retardar e, quem sabe, mudar o quadro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Macau está numa posição curiosa. O português é língua oficial mas Macau não participou neste processo da reforma ortográfica. Parece haver uma certa vontade de não adoptar a nova norma. Por outro lado, há quem perceba que, como centro de ensino do português, não deve retardar essa introdução da nova norma. É um caso especial, este?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Tem razão, a questão aqui é que as pessoas que querem estudar o português têm uma finalidade para isso. Hoje [ontem] perguntei para duas meninas: por que é que vocês foram estudar português? Então elas disseram que queriam estudar uma língua estrangeira. Esse sentimento de estudar uma língua estrangeira… Mas o português para todos os efeitos não é tanto assim uma língua estrangeira para o povo de Macau, até 1999 era administrado por Portugal. Acontece que por outro ponto de vista é uma língua estrangeira porque as pessoas daqui não a falam. Está tudo escrito em português, no aeroporto, nas ruas, nas placas, nos hotéis, mas se falarmos com algum recepcionista em português ele não vai entender. Então a segunda língua dele certamente é o inglês. Isto é uma questão que a comunidade de Macau precisa de avaliar. A importância da língua portuguesa para o povo de Macau é algo que compete à cidade decidir o que é que significa. Para nós é muito cómodo dizer que é importante estudar português, o Brasil é um grande país, Portugal tem uma História maravilhosa, mas e para eles? Talvez se a presença brasileira ou portuguesa aqui fosse maior, mas eu não sei… não conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Ainda assim, como acha que se pode resolver a questão?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;C.C.H. – Em Macau, como qualquer local do mundo onde se use a língua portuguesa, como Malaca, Goa, ou mesmo nos países onde há comunidades portuguesas, como o Canadá e os Estados Unidos, o que é que vai acontecer com o português? Vai ficar com uma ortografia só e todos terão de escrever nessa ortografia. O que acontece com o espanhol. Então, onde houver algum grupo usando a língua portuguesa terão de se submeter. Acho que, politicamente, o que seria conveniente seria que alguém de Macau, uma autoridade, alguém ligado ao ensino do português aqui, fosse convidado não necessariamente para debater – porque na verdade não há nada para debater, a coisa já está feita – mas a título de prestígio, porque é prestigiar as comunidades. Embora ainda seja língua oficial percebe-se que está a acontecer esta perda, este afastamento. O que a gente lê nos livros e nas notícias é que aqui o português está sendo suplantado pelo inglês. Enfim, eu acho que essa questão acaba sendo resolvida dessa forma. Há um acordo, é oficial, vai passar o tempo e aí as coisas vão-se acomodar. E para todos os efeitos, na comunidade internacional, o português hoje tem uma ortografia só. Nem que seja só pelo aspecto psicológico. Na prática isso não está acontecendo completamente mas a gente sabe que é para lá que nos estamos encaminhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Jornal PONTO FINAL, 21 de setembro de 2010 (Macau - China)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-4585035249352554057?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/4585035249352554057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=4585035249352554057&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/4585035249352554057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/4585035249352554057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/11/entrevista-01.html' title='Entrevista (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/TOeelYf0a3I/AAAAAAAAACY/ZCMnPOIWLLY/s72-c/China%2B-%2BJdeMacau.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-2375981863721713948</id><published>2010-08-10T11:59:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T12:02:20.091-07:00</updated><title type='text'>Foto (01)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/TGGh33fMNWI/AAAAAAAAACI/DIpKe_28D5A/s1600/2010-07+(5).jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5503858200783107426" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/TGGh33fMNWI/AAAAAAAAACI/DIpKe_28D5A/s200/2010-07+(5).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;com André Valente e José Carlos Azeredo, na ANPOLL, em BH, julho de 2010&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-2375981863721713948?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/2375981863721713948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=2375981863721713948&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/2375981863721713948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/2375981863721713948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/08/foto-01.html' title='Foto (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/TGGh33fMNWI/AAAAAAAAACI/DIpKe_28D5A/s72-c/2010-07+(5).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-2715071683531200679</id><published>2010-08-10T10:28:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T17:29:15.444-07:00</updated><title type='text'>Crônica (07)</title><content type='html'>TRÊS CRONISTAS CONVIDADOS: turma da UNESA, julho de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho sobre crônicas linguísticas continua. Compartilho agora três textos produzidos por meus alunos do terceiro período de Língua Portuguesa da Universidade Estácio de Sá (turma de 2010-1 do &lt;em&gt;campus&lt;/em&gt; Niterói). O tema era MORFOLOGIA do português, assunto de nosso curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 35 alunos fizeram a escolha das três crônicas abaixo, que vocês lerão na versão final, com os ajustes dados por mim conforme as orientações do curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixem de mandar seus comentários!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E O GRITO SE FEZ CANTO (por Alana Carvalho Perez)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas da tarde e preciso escrever uma crônica sobre morfologia. Verdadeiramente não sei onde está o substantivo, o adjetivo, o advérbio, o verbo. Quero gritar! Não! Se gritasse, seria tida como louca pelos meus vizinhos. Afinal, ninguém em condições normais anda gritando por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu possa cantar. Sim, o verbo expressa uma ação. Mas o meu cantar, que nesse caso é um substantivo, também não agradaria ninguém. E assim é a vida. Se eu canto, posso não agradar, porque o meu canto não é dos melhores. De canto em canto percebo como as palavras são maleáveis e brincam conosco. Ou somos nós que brincamos com elas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras estão a nossa disposição para serem usadas, abusadas, reutilizadas. Tanto faz de que “caixinha” elas façam parte. Somos nós, os falantes, que vamos moldando e encaixando-as de acordo com nosso interesse. Não sei se estou ficando louca, ou se sou uma louca já há algum tempo. Pensando assim, vejo que adjetivo vira substantivo. O contrário também pode acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto aos tempos do colégio. A grande dúvida dos alunos era o uso do “por que”. Junto ou separado? Com acento ou sem acento? Vai saber?, dizíamos nós. E sofria o pobre professor que tentava em vão explicar que essa palavrinha tão usada, e comumente classificada como advérbio, também pode ser substantivo e até mais do que isso. “Não se esqueçam de que, nessa posição, ele deverá estar junto e com acento circunflexo” dizia o mestre, ou seja, é preciso explicar o porquê do por quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me por um momento do grito e do canto. Não sei se grito ou se canto. Acalmo-me. Olho pela janela e vejo a Enseada de Botafogo, o mar, o céu. Tudo está calmo; a natureza não compartilha a minha aflição. Silêncio e tranquilidade. Vou então silenciar meu grito e cantarolar baixinho só para relaxar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, tudo se resolve. Pelo menos é o que dizem. E como sou crente... creio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CERTO OU ERRADO, EIS A QUESTÃO (por Juliana Gomes Miranda)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui sentada em frente ao meu computador num dia chuvoso e frio tentando fazer a crônica que o professor de Língua Portuguesa III designou à turma. Não é nada fácil, mas começo a pensar... Penso em escrever sobre a ditongação dos verbos irregulares quando os conjugamos; mas tento milhões de vezes e não consigo escrever nada que seja tão sofisticado e completamente correto. E aí começa o meu problema, ou melhor, o nosso problema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevendo, acabo por me lembrar de como é comum ouvirmos pelas ruas expressões como “Nós vai amanhã lá”, “Vai dar pra mim ir sim”, “As criança lá da rua são terrível” ou então “Os pessoal tá esperando a gente pro almoço”. A nossa base de conhecimentos nos diz que a utilização de “vai” juntamente com o “nós” está morfossintaticamente incorreta, pois o certo seria “Nós vamos” já que sabemos que a desinência número-pessoal do verbo "ir" no presente do indicativo é –MOS. Também sabemos que o “mim” usado antes do verbo não pode ocupar a função de sujeito. Quanto aos artigos definidos, a regra manda que sejam flexionados de forma a determinar os substantivos com os quais se relacionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses erros são figurinhas repetidas que ferem a língua padrão e até mesmo nossos ouvidos. São desvios que decorrem da falta de estudo ou da falta de interesse em aprender? Erros de pessoas que não se importaram em estudar? Será mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguém disser “Ele pediu pra mim digitar isso até amanhã!”, ainda assim não entendemos o que a pessoa quis dizer? Se alguém falar “Me dá dois pastel”, por mais que esteja fora do padrão, não entendemos, não sabemos o que significa? Então, por que esses desvios precisam ser tão repudiados? Por que precisam ser vistos apenas como vocabulário da escória? Ambas as formas, a condizente com a norma padrão, e a que não é, são verdades, são passíveis de entendimento. A diferença está nos fatores sociais, em como e onde são faladas! Enquanto nos meios mais cultos e elitizados a variante prestigiada é a que se encaixa na forma padrão do português, em lugares menos favorecidos, onde se encontram pessoas mais simples e menos escolarizadas, a variante de prestígio é exatamente aquela que renegamos e vemos como estigmatizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que todos possamos e devamos falar sem nos importarmos com o que a linguagem padrão do português nos diz. Isso quer dizer que precisamos parar de valorizar as classificações “certo” e “errado”, porque toda língua possui suas variações e cada uma delas é prestigiada em determinados lugar e situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então aqui estou eu, sentada à frente do computador num dia frio e chuvoso, olhando para a tela do Word com novos olhos, olhos de alguém que atinou para a realidade de sua visão estrita e discriminatória das formas de expressão de nossa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NEOLOGISMOS (por Vera Lucia Costa de Paula Antunes)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa&lt;/em&gt;, consta que um neologismo acontece quando uma palavra usada numa acepção nova torna-se uma nova palavra a partir da primeira já existente. Esse tipo de mudança nos permite falar também em diacronia, fenômeno linguístico que se refere ao que acontece ao longo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando os noticiários, nos deparamos com bons exemplos para isso. O nome “pizza”, que ainda não sofreu um processo de aportuguesamento gráfico, já foi totalmente abrasileirado e transformado em sua acepção. Hoje, “tudo acaba em pizza” não quer dizer necessariamente que iremos comer essa apetitosa iguaria de origem italiana. O povo diz essa frase quando quer se referir à idéia de que “tudo” acaba em “nada”, significando o “tudo” um monte de não cumprimentos da lei, e o “nada” uma festa, nenhuma punição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro nome curioso é “valerioduto”, que é fruto da reunião do nome próprio Valério, personagem processado por desvio de dinheiro público, e do morfema “duto” que significa “cano que conduz resíduos, água, gás”, tais como aqueduto, gasoduto, por exemplo. A palavra “valerioduto”, que não existia na língua portuguesa, tem o significado de “caminho onde deságua ou circula dinheiro roubado”. Trata-se de uma “lavagem” de dinheiro, também em sentido figurado, pois jamais podemos tomar isto ao pé da letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira – hoje vou me deter só nesses dois exemplos – podemos observar alguns dos caminhos que a língua percorre para satisfazer a expressão de emoções e acontecimentos, de forma viva, criativa e flexível, ao bel-prazer dos falantes, num dado momento sincrônico. Ela se torce e contorce na sua morfologia, ganha aqui, perde ali, mas nunca deixa o falante sem solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: UNESA, &lt;em&gt;campus&lt;/em&gt; Niterói, 2010.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-2715071683531200679?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/2715071683531200679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=2715071683531200679&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/2715071683531200679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/2715071683531200679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/08/cronica-07.html' title='Crônica (07)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-9066036117232134176</id><published>2010-08-10T09:49:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T17:29:40.072-07:00</updated><title type='text'>Crônica (06)</title><content type='html'>TRÊS CRONISTAS CONVIDADOS: turma da UERJ, julho de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo compartilho com vocês um trabalho sobre crônicas linguísticas. Desta feita, meus alunos do terceiro período de Língua Portuguesa da UERJ (turma de 2010-1) deveriam escrever sobre um tema qualquer de SINTAXE do português, assunto de nosso curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A turma de 39 alunos selecionou as três crônicas abaixo. Elas estão na versão final, com pequenos ajustes, de acordo com as orientações que dei para o fechamento do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que vocês apreciem... e comentem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TRAFEGANDO ENTRE VERBOS: UMA QUESTÃO DE TRANSITIVIDADE (por Felipe Moraes Pereira)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando achamos que já vimos de tudo e que nada, mas absolutamente nada mesmo, pode ser novo quanto à aquisição de conhecimentos sobre um assunto já estudado no âmbito acadêmico, vem um professor e nos mostra que estamos errados. Isso recentemente aconteceu comigo e minha turma de graduação quando fomos solicitados a refletir sobre a transitividade verbal. Pensei: para que estudar isso se já sabemos tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que nos deparamos com o tão assustador “complemento relativo”, estudado nas gramáticas dos professores José Carlos de Azeredo e Rocha Lima, entre outras que também focalizam o assunto. Mais tarde, porém, vimos que ele nem era tão assustador assim. Na verdade, é a maneira mais aceitável de se entender que o termo “objeto indireto” (OI) não poderia ser atribuído a todos os complementos verbais antecedidos por uma preposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na oração “Maria gosta de Ricardo”, não podemos dizer, por exemplo, que “de Ricardo” é OI, pois entende-se por objeto indireto o beneficiário da ação denotada pelo verbo, do mesmo modo que, para ser classificado assim, deveria permitir a sua substituição pelo pronome oblíquo átono “lhe”. No entanto, não podemos produzir essa oração da seguinte maneira: “Maria gosta-lhe”. Logo, acho mais plausível deixar o conceito da NGB de lado e seguir o que dizem os autores que citei acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda nessa linha de pensamento, podemos observar mais um caso em que a NGB não dá conta da classificação mais adequada ao termo. Para entendermos melhor, vejamos uma outra oração: “Joaquim foi à praia”. A NGB classifica o termo preposicionado como adjunto adverbial, mas por quê? Segundo ela própria, o adjunto adverbial é um termo acessório na oração. Só que, no caso em questão, podemos observar que há uma relação de coocorrência sintática entre o verbo e o complemento. Por isso, para Rocha Lima (entre outros), esse termo é um termo obrigatório para a oração fazer sentido; é o complemento circunstancial, que seria o determinante do verbo ou a expressão que indica uma circunstância qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dessa análise, fica a dúvida: seguir a NGB ou aceitar essa outra orientação? Bem, eu já fiz a minha escolha. Sigo esse outro caminho, por entendê-lo como uma questão de conceito e aplicabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO (por Jhone Carlos da Cruz)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito comum encontrar, entre os nativos de língua portuguesa, aqueles que têm dificuldade na construção de períodos e, no amontoado de regras e prescrições sintático-gramaticais, destaca-se a correta colocação de sinais de pontuação.&lt;br /&gt;Certa feita, convidada para ir à recepção de um amigo que voltava do hospital, minha antiga professora da escola municipal em que estudei em São Gonçalo surpreendeu-se com um cartaz que dizia: “Sem seja bem-vindo”. O estranhamento identificado pela professora é totalmente plausível, visto que o uso da preposição 'sem', que é utilizada contrariamente a 'com', estava totalmente impróprio para um cartaz de boas vindas da recepção de alguém que estivera internado num hospital e de fato precisava do carinho e atenção dos amigos e família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao analisar, com cautela, a construção “sem (que) seja bem-vindo”, a docente entendeu que a intenção do autor do cartaz jamais fora destratar o amigo doente, apelidado de Sem pelos amigos, fato que ela desconhecia. Na verdade, a construção incoerente se deu pelo esquecimento da vírgula após a forma carinhosa de chamamento do amigo (“Sem”), que transformaria a tal conjunção em um vocativo e, com isso, permitiria o perfeito entendimento do período: “Sem, seja bem-vindo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de má construção de frases causada pela colocação incorreta dos sinais de pontuação é corrente nos textos em geral. Também é frequente encontrar tais desvios nos anúncios comerciais, placas indicativas de estradas e até mesmo em textos acadêmicos e jornalísticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplo disto é o seguinte dizer de uma placa fixada em uma estrada: “VENHA CONHECER BONITO O LUGAR MAIS LINDO DO MATO GROSSO DO SUL”. Ao iniciar a análise da oração, qualquer leitor se perguntaria qual é o lugar mais lindo do MS e o porquê da exigência de estar 'bonito' para conhecê-lo. Trata-se, na verdade, de mais um caso de não colocação do sinal de pausa (pontuação), aqui após o objeto direto 'BONITO'. Isso revelaria que ‘O LUGAR MAIS LINDO DO MUNDO’, nesse caso, é um aposto caracterizador do objeto direto e ‘BONITO’ não é um adjetivo funcionando como predicativo do sujeito. Afinal, como diz o cartaz, Bonito é o lugar mais lindo do Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitar casos de desobediência sintática faz parte de um universo a ser estudado e dominado pelo nativo de língua portuguesa. Os vestibulares e concursos estão abarrotados de questões e pegadinhas desse tipo, e para não ficar para trás o candidato deve estar atento às normas e detalhes de cada construção de frase para que não seja prejudicado na hora da elaboração da redação e da resolução de questões nesses exames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ODISSEIA PRONOMINAL (por Pedro Passidomo)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado como se vê, cada dia mais, o descaso das pessoas quanto ao uso dos pronomes oblíquos. Pensando nisso, sentei em uma lanchonete grande aqui no Rio de Janeiro, fazendo questão de me colocar bem perto do balcão, pois queria observar claramente o que a atendente falava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre pratos sujos de molho, refrigerante derramado pelo chão, procurava prestar atenção ao que ela dizia. De repente, a moça me surpreendeu, proferindo uma bela frase: - Senhor, pode aguardar na mesa que nossos atendentes já vão entregá-lo a sua refeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim!? Alguém treinado para utilizar a língua, que deve estar pronto para dominá-la perfeitamente, como pode cometer um suicídio linguístico desses? A vontade foi de cortar-me os pulsos (com muita ênfase no processo verbal e no adjunto adnominal). A indignação foi tanta que imaginei a cena. A pobre menina levando seu cliente amarrado e encapuzado, por entre chapas ferventes e óleos escaldantes, até chegarem ao fundo escuro da dispensa. Ela repousa o rapaz em frente a uma porta e lhe diz ao pé do ouvido com um sotaque russo e uma voz rouca, como um ruído metálico: - Conheça agora nosso mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma porta se abre e a imagem um tanto ou quanto pitoresca se revela. É ele, o grande rei dos reis, o senhor dos sanduíches, o Peitudão. Um robusto sanduíche, com dois hambúrgueres, duas salsichas, queijo cheddar, bacon, salada, sem faltar o pão gigante com gergelim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a Deus, fui salvo no clímax dessa história. Voltando porém para a fala da atendente, procurei entender o que a moça dissera. Tudo bem, posso até aceitar que ela não foi contratada para entender que não se usa o pronome oblíquo “o” para objetos indiretos. Compreensível que, entre os oblíquos e os retos, alguns os conheçam somente de "ouvir falar". Mesmo com esses “poréns”, a pérola da moça não fez bem ao meu espírito morfossintático aguçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a tragédia auditiva que acabara de presenciar, preferi engolir rápido o pouco de batata que ainda restava e sair dali o mais rápido possivel. Daquela situação ficou bastante clara uma coisa para mim: se os objetos não estão em seu lugar, é melhor não tentar arrumá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: Instituto de Letras, UERJ, 2010.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-9066036117232134176?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/9066036117232134176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=9066036117232134176&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/9066036117232134176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/9066036117232134176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/08/cronica-06.html' title='Crônica (06)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-3305078186125124602</id><published>2010-04-22T16:38:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T16:43:46.518-07:00</updated><title type='text'>Poesia (04)</title><content type='html'>PONTO FINAL , de Affonso Romano de Sant'Anna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, ponto de observação&lt;br /&gt;eu, ponto de interrogação&lt;br /&gt;eu, ponto.&lt;br /&gt;Discurso sem conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Poesia Reunida 1965-1999.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-3305078186125124602?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/3305078186125124602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=3305078186125124602&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/3305078186125124602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/3305078186125124602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/04/poesia-04.html' title='Poesia (04)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-3966324235342406149</id><published>2010-02-09T06:49:00.001-08:00</published><updated>2011-11-02T17:30:00.547-07:00</updated><title type='text'>Crônica (05)</title><content type='html'>TRÊS CRONISTAS CONVIDADOS: turma da UERJ, janeiro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compartilho com vocês um trabalho que propus aos meus alunos do quarto período de Língua Portuguesa da UERJ (turma de 2009-2). Eles deveriam redigir uma crônica linguística sobre um tema qualquer de MORFOLOGIA do português, assunto de nosso curso. O limite era uma página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três crônicas publicadas abaixo foram selecionadas pela turma de 29 alunos para reprodução neste blogue. Estão na versão final, ajustada após pequenos retoques, seguindo as orientações que dei para a redação do texto definitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leiam... aproveitem... comentem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O XARARÁ DO XERERÉU&lt;/strong&gt; (por &lt;strong&gt;Ariane Oliveira de Sousa&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminhada acadêmica é sempre uma caixinha de surpresas. Durante os primeiros anos da graduação, há momentos vividos em sala de aula que são especialmente marcantes. Eu os divido em duas principais categorias: aqueles em que seu “vasto” conhecimento de ensino médio é totalmente desconstruído e você fica com uma sensação de Maysa (“meu mundo caiu”), e aqueles em que você se surpreende e fala “nossa, como não pensei nisso antes?!”. Nessa minha não tão longa jornada de quatro períodos da graduação, já passei por muitos desses episódios, mas há um que merece destaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo período, certa professora de linguística, que já não precisa de muito esforço para marcar qualquer aluno, apresentou a seguinte frase para que fizéssemos a análise sintática: &lt;em&gt;O xararativo xarará do xereréu xararou o xiriri do xororó xararativamente&lt;/em&gt;. Num primeiro momento, pensamos “Pronto, enlouqueci de vez!”, mas depois percebemos certas coisas para as quais, até então, não tínhamos dado conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, como saber a que classe gramatical pertencia e que função exercia a palavra “xarará” se ela não existe no léxico da língua portuguesa? Mesmo sem ter estudado estrutura e formação das palavras, fomos capazes de responder a questões como estas: “xararativo” é adjetivo; “xararou” é verbo; “xararativamente” é advérbio; “xarará”, “xereréu”, “xiriri” e “xororó” são substantivos. Éramos gênios da morfossintaxe! Tudo bem... nem tanto... eu sei. O importante é que, mesmo sem conhecimentos morfológicos mais específicos, conseguimos fazer a análise, principalmente por sermos falantes nativos da língua portuguesa. Fomos capazes de supor que do verbo “xararar” poderia surgir o adjetivo “xararativo”, que daria origem ao advérbio “xararativamente”, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, como isso acontece? Agradeça aos morfemas de nossa língua! Naquela frase, voltamos nossa atenção para os sufixos, que têm a capacidade de modificar o significado do radical a que são acrescidos. Uma de suas principais características é mudar a classe gramatical das palavras, pois também podemos dizer que eles contêm uma significação externa. O sufixo -(t)ivo transforma um verbo em adjetivo; -mente, um adjetivo em advérbio de modo. Além disso, a posição que as palavras ocupam na oração também pode ser um indicativo de sua classe gramatical. Dissemos que “xarará” é substantivo, pois funciona como sujeito da oração. Do contrário, poderia ser também um verbo conjugado no futuro do presente do indicativo, com desinência modo-temporal -ra tônica e vogal temática -a. Concluímos, então, que são os morfemas os principais culpados pela formação de novas palavras, mantendo e renovando o léxico de nossa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim seguimos a nossa caminhada. Mais experientes? Xararativamente! Mas sempre esperando novas surpresas xararativas. Afinal, se não fosse assim, que graça teria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;DESABAFANDO SOBRE O CASO DA EPONÍMIA&lt;/strong&gt; (por &lt;strong&gt;Felipe Araujo Gomes&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo de 2009, uma polêmica foi criada em torno do uso de gírias gays por uma das personagens do cartunista Maurício de Souza, na quarta edição em quadrinhos de “Turma da Mônica Jovem”. As expressões “tô passada!”, “a louca!”, “abafa o caso!”, “se joga!”, “dar o truque”, “uó” foram ditas por Denise – jovem descolada, influenciada pela cultura clubber, antenada com o mundo atual – e provocaram a desaprovação de alguns leitores e de parte da crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquanto a adoção de características ou temáticas do universo gay acarrete discussões passionais no âmbito da literatura infantil, em outros seguimentos da arte e da mídia, a cultura LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) conquistou espaço e força ao longo das últimas décadas. O escritor, jornalista e dramaturgo Caio Fernando Abreu (1948-1996) imprimiu na juventude de toda uma época corajosas concepções sobre a sociedade de seu tempo, utilizando em seus textos uma linguagem ousada e original, impregnada de neologismos e gírias, para falar abertamente sobre homossexualidade, sexo livre, drogas, solidão. Ainda hoje as expressões criadas por Caio são correntes e conhecidas por seus leitores dos mais variados tipos. Entre as mais reproduzidas estão “lasanha”, para designar rapaz muito bonito, e “jacira”, para se referir a homossexual escrachado, de baixo nível social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como “jacira”, algumas gírias se formam a partir da conversão de substantivos próprios em substantivos comuns. “débora kerr” e “betty faria” são exemplos desse processo. Talvez o mais disseminado de todos seja a expressão “elza”, significando furto. Segundo o jornalista Victor Ângelo, autor de Aurélia – A Dicionária da Língua Afiada, dicionário que traz 1.300 verbetes usados pelo universo gay, a expressão “dar a elza” teria origem num antigo boato corrido entre travestis cariocas afirmando ser a cantora Elza Soares uma cleptomaníaca “glamourosa” (num estilo Winona Ryder)! Esse processo de “coisificação” através do qual nomes de pessoas passam a ser tomados como substantivos comuns, que denominam significações sem palavras próprias que as expressem ou às quais se deseja atribuir novos significantes, trata-se de um neologismo semântico e é conhecido como eponímia. Cabe ressaltar que os epônimos não são exclusividade do vocabulário LGBT. O substantivo “gari”, por exemplo, é uma homenagem ao francês Aleixo Gary, empresário que se destacou na história da limpeza da cidade do Rio de Janeiro, no século XIX, bem antes dos “babados” de nossa época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, antes de provocarem polêmicas ou caírem no gosto popular, as gírias gays praticadas pela personagem Denise existem há mais tempo do que se imagina (ainda que ninguém desconfiasse disso na década de 1990) e, hoje, além de enriquecerem com muito humor nossa forma de nos comunicarmos, são interessantes exemplos para o estudo dos processos de formação de palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;GERUNDIANDO&lt;/strong&gt; (por &lt;strong&gt;Jacqueline dos Santos Fernandes&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou estar enviando”, “Vou estar retornando”, “Vamos estar registrando”. Provavelmente, você já ouviu essas pérolas de algum operador de telemarketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se algum deles lhe falar que &lt;em&gt;vai estar providenciando o seu pedido&lt;/em&gt;, esqueça! Ou espere deitado. Hoje em dia, ninguém envia mais nada, vão sempre &lt;em&gt;estar enviando&lt;/em&gt;. Ninguém retorna sua ligação, vão sempre &lt;em&gt;estar retornando&lt;/em&gt;. Ninguém registra nada, vão sempre &lt;em&gt;estar registrando&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gerundismo é o nome dado ao uso indiscriminado do gerúndio para indicar uma ação momentânea. Por conta disso, há quem queira abolir da língua portuguesa o gerúndio, como aconteceu com o governador do Distrito Federal, que “demitiu” o gerúndio de todos os órgãos do seu Estado. Enquanto isso, escolas sem infraestrutura, sem alimentação para as crianças são só pequenos detalhes da realidade de sua cidade – temas certamente menos importantes do que sua cruzada contra o gerundismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembrando: gerúndio é a forma nominal do verbo terminada em “ndo” que indica continuidade da ação: cantando, beijando, abraçando, escrevendo, gerundiando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o gerundismo na nossa língua foi importado da língua inglesa. Teria surgido de traduções mal feitas de frases como “We will be sending”, que acabou virando “Nós vamos estar enviando”. O gerundismo, dessa forma, não passaria de um mero modismo para inglês ver. Contudo, o Ministério da Saúde adverte: “A diferença entre remédio e veneno é a dose”. E o mal da superdosagem não é culpa da dose, porém de quem faz mau uso dela e exagera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caminhando e cantando”, o gerúndio continua vivo, resiste! É enorme a lista dos seus usos aceitáveis: concessivo, explicativo, modal, causal, temporal, condicional. Como cantou Gilberto Gil, o bom gerúndio, como o Rio de Janeiro, “continua lindo, continua sendo...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: Instituto de Letras, UERJ, 2009.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-3966324235342406149?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/3966324235342406149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=3966324235342406149&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/3966324235342406149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/3966324235342406149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/02/cronica-05.html' title='Crônica (05)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-9099803675030334267</id><published>2010-02-02T08:19:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T08:44:58.550-08:00</updated><title type='text'>Dica de Ortografia (03)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hVLXUlCHI/AAAAAAAAAB4/Bnp4mxD8Czg/s1600-h/Tabela+01+(maio09).jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433686604149753970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hVLXUlCHI/AAAAAAAAAB4/Bnp4mxD8Czg/s200/Tabela+01+(maio09).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;ACENTUAÇÃO GRÁFICA&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Eis a tabela de acentos pelo que diz o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;É a mesma que acompanha a quinta edição do livro "A Nova Ortografia". Se o seu livro é anterior, basta substituir esta tabela. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;CLIQUE NA IMAGEM E IMPRIMA.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-9099803675030334267?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/9099803675030334267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=9099803675030334267&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/9099803675030334267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/9099803675030334267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/02/dica-de-acentuacao-01.html' title='Dica de Ortografia (03)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hVLXUlCHI/AAAAAAAAAB4/Bnp4mxD8Czg/s72-c/Tabela+01+(maio09).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-7423854160152293238</id><published>2010-02-02T08:03:00.001-08:00</published><updated>2010-02-02T10:56:36.933-08:00</updated><title type='text'>Dica de Ortografia (02)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hUftkuPYI/AAAAAAAAABw/TghpEUSP06k/s1600-h/Tabela+03+(maio09).jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433685854208802178" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hUftkuPYI/AAAAAAAAABw/TghpEUSP06k/s200/Tabela+03+(maio09).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;EMPREGO DO HÍFEN (II)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eis a tabela de emprego do hífen em palavras começadas por ANTEPOSITIVOS (também chamados prefixoides ou pseudoprefixos). Está atualizada pelo que diz o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;É a mesma que acompanha a quinta edição do livro "A Nova Ortografia". Se o seu livro é anterior, basta substituir esta tabela.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;strong&gt;CLIQUE NA IMAGEM E IMPRIMA.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-7423854160152293238?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/7423854160152293238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=7423854160152293238&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7423854160152293238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7423854160152293238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/02/dica-de-ortografia-02.html' title='Dica de Ortografia (02)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hUftkuPYI/AAAAAAAAABw/TghpEUSP06k/s72-c/Tabela+03+(maio09).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-7269290931462589253</id><published>2010-02-02T07:57:00.000-08:00</published><updated>2010-02-02T08:47:51.625-08:00</updated><title type='text'>Dica de Ortografia (01)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hWv2NAEaI/AAAAAAAAACA/C6DW67mWeS8/s1600-h/Tabela+02+(maio09).jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 124px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433688330426388898" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hWv2NAEaI/AAAAAAAAACA/C6DW67mWeS8/s200/Tabela+02+(maio09).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;EMPREGO DO HÍFEN (I)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a tabela de emprego do hífen em palavras começadas por PREFIXO. Está atualizada pelo que diz o Vocabulário Oortográfico da Academia Brasileira de Letras.&lt;br /&gt;É a mesma que acompanha a quinta edição do livro "A Nova Ortografia". Se o seu livro é anterior, basta substituir esta tabela.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffff66;"&gt;CLIQUE NA IMAGEM E IMPRIMA.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-7269290931462589253?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/7269290931462589253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=7269290931462589253&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7269290931462589253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7269290931462589253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2010/02/emprego-do-hifen-i-eis-tabel-de-emprego.html' title='Dica de Ortografia (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8Yo-imIggko/S2hWv2NAEaI/AAAAAAAAACA/C6DW67mWeS8/s72-c/Tabela+02+(maio09).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-7815331116864721676</id><published>2009-12-20T16:31:00.000-08:00</published><updated>2011-11-02T17:30:23.199-07:00</updated><title type='text'>Crônica (04)</title><content type='html'>É TEMPO DE METÁFORAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a linguagem nos oferece motivos de sobra para discussões e especulações não é novidade para ninguém. Vivemos em torno dessa inesgotável forma de expressão, a um tempo ilimitada para nos servir em nossa necessidade de dizer e de não dizer o que pensamos e queremos, mas tam-bém – paradoxal que seja – insuficiente para dar conta de toda a complexidade de nossa natureza de seres pensantes instáveis, contraditórios e eternamente insatisfeitos – ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lata existe para conter algo. Mas, quando o poeta diz "lata", pode estar querendo dizer o incontível. Gilberto Gil, em versos simples (seriam simples?),  refere-se a uma figura de linguagem velha conhecida, dessas que nos acompanham em nossas tentativas de comunicação com nossos semelhantes. Eu, como ele, referimo-nos à metáfora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abrindo qualquer jornal, de qualquer dia, lá está ela – viva, presente, divulgada. Pode ser uma metaforazinha corriqueira, tipo "chuva de pedras" (numa notícia que fala de jovens palestinos atirando pedras em escavadeira israelense), "o santuário da Amazônia" (em reportagem sobre declaração do presidente ao inaugurar gasoduto no Amazonas), "feirão de jogadores" (em matéria sobre evento futebolístico reunindo empresários interessados na contratação de atletas). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a metáfora é uma forma de expressão que também pode ser original – e daí se explica a "lata" do poeta contendo o incontível. Quando vemos, por exemplo, na imprensa um artigo cujo título é "A linguiça democrática", é preciso ler o texto todo para compreender que o articulista estava, na verdade, comparando as sutilezas do regime democrático com a inusitada decisão de uma fábrica de automóveis alemã, que passou a produzir mais linguiças do que carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observem na publicidade, nas letras de música e em nossa literatura como a criatividade dá conta desse recurso expressivo. Jornalistas, escritores, políticos, esportistas e artistas, todos praticam e divulgam metáforas, mas o mesmo fazem nossos amigos, vizinhos, parentes e colegas de trabalho. Estamos cercados pelas metáforas – eis aí mais uma, explorando a relação de similaridade entre elas (as metáforas) e as cercas, como se estivéssemos confinados num espaço dominado por elas, as poderosas metáforas. Nesse caso então, se estamos rodeados de metáforas por todos os lados, então façamos outra e nos vejamos numa ilha imaginária em pleno oceano metafórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tempo tão rico de metáforas – mas certamente não é o primeiro – que até o que não é metáfora quer às vezes receber o status retórico. Nesse caso, fiquemos atentos, pois tudo corre o risco de não querer dizer literalmente o que diz. "A gasolina vai subir dez por cento" seria uma metáfora? "Ministério público investiga suspeita de fraude" na verdade seria a transposição de quê? Quando o treinador fala "ficou parado, chuta o tornozelo dele", devemos pensar que ele só fez uma metáfora, sem nenhuma apologia à violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, o estudo e a observação dos textos, orais e escritos, de qualquer modalidade e registro são matéria rica para uma reflexão crítica. O leitor precisa estar atento e ser experto – isso mesmo, com X – para não ser envolvido pelas artimanhas do redator ou do orador. A não ser que assim o deseje, por opção consciente e deliberada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostram os livros que o primeiro registro por escrito da palavra metáfora em nossa língua ocorreu no século XIV, mas o termo é de origem grega. Reconheçamos, pois, que durante esse tempo todo muito pouco deveria ter sobrado para a inventividade humana produzir metáforas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem ache que sim; há quem ache que não. Pelo sim, pelo não, cantemos a metáfora e, parodiando o compositor popular, entoemos a ela um hino de fogo e paixão: Você é luz, é raio, estrela e luar, manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquem bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: publicado no Jornal de Vila Isabel (n. 327), em agosto de 2004.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-7815331116864721676?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/7815331116864721676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=7815331116864721676&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7815331116864721676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/7815331116864721676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/12/e-tempo-de-metaforas-que-linguagem-nos.html' title='Crônica (04)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-6421005324513621709</id><published>2009-10-06T16:20:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T16:40:00.022-07:00</updated><title type='text'>Poesia (03)</title><content type='html'>QUESTÃO DE PONTUAÇÃO, de João Cabral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo aceita que ao homem&lt;br /&gt;cabe pontuar a própria vida:&lt;br /&gt;que viva em ponto de exclamação&lt;br /&gt;(dizem: tem alma dionisíaca)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;viva em ponto de interrogação&lt;br /&gt;(foi filosofia, ora é poesia);&lt;br /&gt;viva equilibrando-se entre vírgulas&lt;br /&gt;e sem pontuação (na política)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o homem só não aceita do homem&lt;br /&gt;que use a pontuação fatal:&lt;br /&gt;que use, na frase que ele vive,&lt;br /&gt;o inevitável ponto final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Poesia Completa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-6421005324513621709?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/6421005324513621709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=6421005324513621709&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/6421005324513621709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/6421005324513621709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/10/questao-de-pontuacao-de-joao-cabral.html' title='Poesia (03)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-562183433338912346</id><published>2009-09-11T08:31:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T17:30:56.553-07:00</updated><title type='text'>Crônica (03)</title><content type='html'>DUAS ESTRADAS ACADÊMICAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber preparar profissionais capazes de transformar o aluno de nível médio em um usuário competente da linguagem é um dos principais objetivos do ensino de língua portuguesa nos cursos de Letras. Ser um usuário competente da linguagem não é apenas ser capaz de ler criticamente qualquer tipo de texto, mas também ter a capacidade de produzir textos dotados de tal significado e estrutura que seu eventual leitor os receba de modo natural, isto é, concentrando-se na mensagem transmitida, embora eventualmente possa mesmo deter-se sobre alguma construção ou escolha de palavras que lhe pareça passível de uma reflexão metalinguística. Todavia, ser um usuário competente da linguagem é igualmente saber explicar como ela funciona, e isto ultrapassa os limites mais específicos das atividades didático-pedagógicas voltadas para as aulas de redação e alcança um campo dito “minado”, qual seja a tarefa de apresentar tópicos de teoria gramatical direcionados para que se possa atingir aquele a que chamo, no início deste parágrafo, um dos principais objetivos do ensino de língua portuguesa – e agora não apenas nos cursos de Letras, mas em todas as salas de aula onde atue um professor de Português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vislumbro, neste ponto, duas estradas paralelas que levam ao mesmo destino, a uma cidade imaginária (Éden?), habitada por cidadãos conscientes, expressivos e críticos, construtores de sua cidadania plena a partir do direito que lhes foi assegurado de ter o domínio de sua própria língua nacional, com a autonomia e a faculdade de distinguir os usos que melhor lhes aprouverem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os futuros profissionais da área de Letras recebem um bilhete ao ingressar no curso superior, iniciam sua viagem e, durante todo o trajeto, se abastecem dos princípios norteadores de sua pretendida opção de ensinar Português. Na estrada que percorrem, param em oficinas sintagmáticas e paradigmáticas, veem outdoors estruturalistas e transformacionais, lojas funcionalistas de peças discursivas e até um minishopping com coesas e coerentes butiques pragmáticas. É uma rodovia razoavelmente conservada, nem sempre bem sinalizada, com pedágios e postos de fiscalização comandados por professores de Língua Portuguesa e de Linguística, vários entroncamentos que levam para outros destinos e placas indicativas de retorno a cada mil metros. Nem sempre os que conseguem terminar a jornada acham a cidade que procuram e muitos acabam chegando à conclusão de que talvez tivesse sido melhor consultar um mapa antes de começar o percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a lenda da região que vários deles procuram ajuda numa pequena mercearia de beira de estrada, que também serve de posto de informações. Lá, se dão conta de que, para chegar à cidade, ainda será preciso seguir pela outra estrada, a que chamam vicinal... Ficam sabendo inclusive que, ao longo da rodovia pela qual vieram, eles passaram por vários acessos a essa outra estrada, embora isso não lhes garantisse chegar ao lugar pretendido. Perguntam onde estão e se surpreendem quando lhes dizem que aquele lugarejo tem o nome de Burrosnágua – neologismo que teria sido criado em homenagem a seus fundadores, um casal analfabeto beberrão que ali se estabeleceu no início da década de setenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há os que fixam residência nesse pequeno povoado, mas há também os que partem, enfim, em direção àquela estradinha secundária, obcecados em alcançar Éden. Estes ficam se indagando por que, quando lhes falavam dela, diziam: - Ah, sim. É uma estrada que já teve a sua importância, mas que, hoje em dia, está meio posta de lado. Falam que é mal assombrada... Até seu nome é estranho, Estrada do Sermão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa outra estrada há muitas curvas, pistas estreitas, poucos acostamentos, mas o asfalto é liso e são bem visíveis as faixas amarelas que indicam os pontos onde é permitida a ultrapassagem. As lojinhas que a margeiam vendem lembranças estilísticas e enfeites semântico-expressivos. Uma delas é especializada em discutíveis suvenires ortográficos e curiosos berrantes sintáticos de difícil colocação. Os postos de fiscalização parecem abandonados. Alguns dão a impressão de terem sido alvo de pichadores rodoviários. Na subida da serra, há uma fonte de água transparente e alguns vendedores de frutas da estação. Há várias placas que apontam em direção à rodovia principal, todas elas com um lembrete muito sugestivo: “Cuidado ao adentrar!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomo, então, o prumo desta prosa e busco nessa Estrada do Sermão o tema da correção gramatical, que é, para o profissional da área de Letras, a um só tempo, instigante e paradoxal. Digo desafiador, porque me reporto à inevitável cobrança de conhecimento acerca das noções de “certo” e “errado” de que é alvo todo especialista em questões de língua. E digo contraditório, pois transfiro para essa sua “decisão soberana” todo o drama de um juiz que, a cada instante, se vê enredado pelas tranças de regras e de intransigências legais acerca das adequações e inadequações desta ou daquela construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A norma culta é um enigma. Onde se esconde essa criatura tão decantada em enunciados de provas, programas de concursos e orientações para monografias? Será que ela ainda mora naquelas mesmas gramáticas conceituadas que há uma ou duas dezenas de anos vêm sendo acusadas de ranços retrógrados de uma língua que não se usa mais? Observo que, na verdade, essa tal norma culta já nem representa mais a sociedade culta porque esta já não fala nem escreve em língua culta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro também que, ao longo de sua formação, o futuro profissional da área de Letras terá de comprovar na prática que é possuidor de duas qualidades: detém o conhecimento crítico da teoria gramatical e exercita plena e satisfatoriamente esse conhecimento na produção de seus próprios textos acadêmicos, algo que é concreto e que precisa ser enfrentado, a partir de uma preocupação autoritária e conservadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Friso, ademais, a atenção que se deve dar aos registros normalmente inseridos em trabalhos de graduação e de pós-graduação: citações, ilustrações, notas bibliográficas e pessoais, etc. Costuma-se, para estes itens, seguir uma série de outras determinações. Muitas delas tomam, às vezes, ares de paranoia formal e, por esse motivo, se juntam harmoniosamente aos ataques psicóticos naturais daquelas regras obsessivas impostas pelos detentores da presumida sabedoria científica. Menos mal que já é possível constatar que, atualmente, a padronização dos trabalhos acadêmicos está merecendo um tratamento mais pedagógico do que carcerário, o que garante alguma tranquilidade para o estudante-autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém acrescento que, se no nível médio a gramática não pode mesmo ser enfocada unicamente como um estudo metalinguístico, exceto nas ocasiões explícitas de necessidade, o mesmo não se pode dizer em relação ao seu estudo nos cursos de Letras. Neste nível, é vital dar ao futuro professor de Português a ferramenta de sua atividade profissional, sob pena de se estar colocando no mercado de trabalho um especialista que não domina sua especialidade. Alguém que corrigirá redações sem saber fazê-las ou que cobrará regras que não explica e muito menos entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, se este texto, que se aproxima de seu desfecho, puder servir para alguma coisa, que seja pelo menos para exemplificar uma modalidade de expressão dotada de “estruturas bem formadas”, adequadas gramaticalmente aos seus objetivos – caso explícito de metalinguagem, mesmo que artesanal e de valor literário discutível...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar a Éden, falta juntar as duas estradas, pavimentá-las por igual e percorrer o trajeto com a velha certeza de que a sinalização, as lojas e oficinas, os postos de serviço e de fiscalização constituem um patrimônio comum. Só assim Burrosnágua poderá desaparecer do mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquem bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: extraído, com adaptações, de A Produção de Monografias (Dialogarts, 1998).&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-562183433338912346?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/562183433338912346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=562183433338912346&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/562183433338912346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/562183433338912346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/09/duas-estradas-academicas.html' title='Crônica (03)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-8271624610518264712</id><published>2009-08-29T03:55:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T17:31:19.525-07:00</updated><title type='text'>Crônica (02)</title><content type='html'>QUE PALAVRA GRANDE! , de CCH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pessoa está radiante porque acaba de conquistar uma grande vitória na vida ou porque se emociona com um triunfo no esporte, na política ou com o sucesso de um familiar. Passar num concurso, ver o filho receber um diploma, vibrar com o resultado de uma eleição, fazer o gol do título, comemorar o campeonato do seu time, a medalha de ouro da seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimentos podem ser mesmo a “disposição afetiva em relação a coisas de ordem moral ou intelectual”, como está no dicionário. Eles representam a capacidade de conhecer, perceber, apreciar. Expressam-se por meio de palavras e gestos nos momentos de tristeza, pesar, desgosto, mágoa. E também nas situações que envolvem afeto, afeição, amor; entusiasmo, emoção, alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para expressar nossos sentimentos – e aqui vamos nos concentrar mais nas situações de extrema alegria –, não basta pular, gritar, chorar. Usamos também palavras, não é? Todas elas significam, rigorosamente, a mesma coisa: “Estou felicíssimo!” ou “Como é bom passar por isso!”. Esses significados, porém, dificilmente são ditos com tais palavras. Geralmente, proferimos interjeições, palavras soltas, pequenas locuções, frases curtas: Parabéns! Uau! Valeu! Maravilha! É isso aí! Não tem pra ninguém! É o maior! Fera! Beleza! Agora quero ver! Vão ter que me engolir! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, as palavras pronunciadas nem sempre identificam o nível social, educacional ou a faixa etária de quem transborda de emoção. De suas gargantas, sonoro e potente, o sinônimo de “Maravilha!” e de “Valeu!” pode ser um aumentativo de palavra. Isso mesmo: nossos tão conhecidos palavrões, identificados nos estudos linguísticos como “termos chulos” ou “palavras de baixo calão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campeão olímpico grita no pódio da medalha de ouro: “– Campeão! Brasil! Porra!” Os microfones captam outros “sinônimos”. Outrora impublicáveis, os palavrões perderam muito do antigo cerceamento. Foram levados para dentro das casas pelas transmissões de tevê e pelos filmes em VHS e DVD. Jornais e revistas os promoveram como elementos naturais a serem reproduzidos nas entrevistas ou conversas com artistas, atletas e políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, que encanto e impacto têm os palavrões na língua falada? Na verdade, podemos dizer que todos eles representam de modo concreto uma associação entre seu significado de partida, seus valores figurados e seu significado pragmático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico: qualquer listagem de palavrões reunirá vocábulos que direta ou indiretamente se referem a sexo. Os valores figurados que essas palavras assumem quando não dizem respeito a sexo são geralmente relacionados a situações afetivas ou emotivas – daí, sua proximidade metonímica ou metafórica com sexo. Seu significado pragmático gira em torno de duas bases principais, uma positiva, outra negativa. Ambas se apresentam sob uma destas quatro possibilidades: interjeições (como a do campeão olímpico), frases imperativas (geralmente iniciadas com a forma “Vai...”), vocativos (em geral com os possessivos “seu” ou “sua”) e autoinvocações (também com possessivos, “meu” ou “minha”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa associação tem muito a ver com os componentes sombrios de parte da história da sexualidade humana, sobretudo pela pregação de que “sexo” e "pecado" eram palavras do mesmo campo semântico. Em consequência, os desejos e as realizações possuíam (e ainda possuem) algo mais do que perturbador. E, por isso, se o sexo sempre foi “mal visto, escondido e deturpado” por moralistas de toda a sorte em todos os tempos, o efeito histórico natural seria a proliferação de usos linguísticos considerados típicos de pessoas de “baixo nível", “sujas e vulgares", causando aversão, constrangimento, reação. Isso explica inclusive o disfarce praticado para encobrir sua utilização, como nos casos de cacilda, pô, cdf, pqp...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade e a linguagem, porém, seguem seu rumo. A liberação sexual dos anos 70 e 80 não tratou do sexo somente do ponto de vista cultural ou biológico. Ajudou a rever também os hábitos da expressão oral, ampliando o uso dos “palavrões”, agora não apenas sinônimos de ofensas e xingamentos. Continuam, é lógico, a funcionar como tal. Todos conhecemos formas muito mais fortes para substituir “Me deixe em paz!”, “Não gosto de você!” ou “Você é um velhaco!”. O interessante é verificar que hoje, quando alguém quer dizer “Como estou feliz!” ou “Que beleza!”, pode escolher (sem sentir?) um palavrão-interjeição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caraca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquem bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: publicado no Jornal de Vila Isabel (n. 328), em setembro de 2004.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-8271624610518264712?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/8271624610518264712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=8271624610518264712&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/8271624610518264712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/8271624610518264712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/08/que-palavra-grande-pessoa-esta-radiante.html' title='Crônica (02)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-8152512224234126674</id><published>2009-08-03T10:10:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T10:12:05.003-07:00</updated><title type='text'>Poesia (02)</title><content type='html'>POEMA, de Eugénio de Andrade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta&lt;br /&gt;Escuta&lt;br /&gt;Tenho ainda uma coisa a dizer&lt;br /&gt;Não é importante, eu sei&lt;br /&gt;Não vai salvar o mundo&lt;br /&gt;Não mudará a vida de ninguém&lt;br /&gt;Mas quem é hoje capaz de salvar o mundo&lt;br /&gt;Ou apenas mudar o sentido da vida de alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta&lt;br /&gt;Não te demoro&lt;br /&gt;É coisa pouca&lt;br /&gt;Como a chuvinha que vem vindo devagar&lt;br /&gt;São três, quatro palavras&lt;br /&gt;Pouco mais&lt;br /&gt;Palavras que te quero confiar&lt;br /&gt;Para que não se extinga o seu lume&lt;br /&gt;O seu lume breve&lt;br /&gt;Palavras que muito amei&lt;br /&gt;Que talvez ame ainda&lt;br /&gt;Elas são a casa,&lt;br /&gt;O sal da língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: transcrito da abertura do documentário Além-Mar, GNT, 1999.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-8152512224234126674?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/8152512224234126674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=8152512224234126674&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/8152512224234126674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/8152512224234126674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/08/poesia-02.html' title='Poesia (02)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-440683056903973741</id><published>2009-07-02T03:44:00.000-07:00</published><updated>2009-09-11T08:49:53.001-07:00</updated><title type='text'>Acadêmico (02)</title><content type='html'>TERMINOLOGIA E ENSINO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao dar aula no ensino fundamental e médio, o professor se depara com muitos desafios, e o principal deles é o desafio de seu sonho. Por que dar aula – e logo de Língua Portuguesa? Dizem que temos vocação para sofredores. Pode ser. Na realidade do trabalho docente, entramos em sala para reencontrar nossas razões, cada um a seu jeito, assim como os alunos que olham para o professor e imaginam como será aquele convívio que durará dois semestres letivos, às vezes mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é uma aula de Língua Portuguesa? Basicamente deveria ser um prolongamento do que se passa no mundo real, pois a língua que usamos é o nosso chão, somatopsicopneumático... Com a diferença de que o fato de ser uma disciplina integrante do currículo escolar a torna, naquele ambiente, muito mais propícia à autorreflexividade do que no espaço cotidiano extraclasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar a língua portuguesa para se pensar em língua portuguesa, transitiva e intransitivamente, nas perífrases e nas paráfrases, nos paradoxos da vida. Onde está a língua que o professor apresenta nas suas aulas? De onde vem o que vai mostrar para o aluno? Vem de uma lista, de uma tabela, de um glossário, de um receituário? Ou vem do jornal, da televisão, do futebol, do cinema, dos bares, da música e da literatura? Vem do palavrão e do elogio? Da declaração de amor ou da declaração de renda? Ó mulher rendeira essa língua portuguesa! Por que só ensinar a fazer renda? Bom mesmo é namorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o prazer do estudo da Língua Portuguesa faz parte do passado de cada professor de Língua Portuguesa. Não imagino que alguém escolheu ser professor dessa disciplina sem gostar dela. O que houve com a vocação que levou cada professor de Língua Portuguesa a ser (sê-lo – vá lá!)? O tempo foi calando o seu prazer? Programas engessados, salários indignos, condições precárias, superlotação, desprestígio... Sua Pasárgada da sala de aula ficou sem a aventura da existência... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudar a língua portuguesa com os alunos não dói. Faz pensar – exercício que precisa de treinamento, hábito, vontade... Pensar metalinguisticamente, porque a descoberta do entendimento das coisas da língua é alimento do espírito, é inspiração para outras reflexões e descobertas, é abertura para dar e receber novas informações. Esse estudo muito bem podia ficar assim mesmo: cada dia um texto, uma história, uma notícia, uma data festiva ou triste, uma visita. Tudo nos serve de desculpa para falar da língua. A propaganda diz que aquela cerveja desce redondo? Serve. O gol do Flamengo foi um golaço? Serve. O nome do filme é “A Ordem da Fênix”? Pode trazer que serve. Quem está na chuva é pra se molhar? Serve. E se for pra se queimar, como dizia o semifilósofo Vicente Matheus? Também serve. Sei cantar o hino do Colégio? O meu colégio não tem hino? Vamos fazer um hino pro nosso Colégio, ora! É época de Vestibular ou de ENEM e temos um formulário pra preencher? Vamos a ele.&lt;br /&gt;Está tudo em português, mas, mesmo que não estivesse (porque o shopping center, o e-mail e a pizza apareceram diante de nós para se aportuguesarem), não faria mal nenhum. Cada um de nossos alunos tem o que dizer sobre todas essas coisas, pois fazem parte de suas vidas corinthianas, salgueirenses, agrícolas ou litorâneas. Um comentário aqui, um encaminhamento ali, vamos indo pelas beiradas em busca da confraternização linguístico-gramatical, sem traumas nem rancores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é gramática pura, em funcionamento. E tudo tem nome, porque afinal de contas se os alunos têm nome, se o professor tem nome e a Escola tem nome, porque o coitado do artigo definido só vai se chamar “azinho” e o acento circunflexo “chapeuzinho”? Mas não é preciso uma nomenclatura gramatical sofisticada. Só se pede que ela seja apenas uma. Como o ser humano, incompleta, imperfeita, carecendo de retoques e de carinhos – e é só um instrumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior trabalho é pegar os retalhos todos trabalhados em tantas aulas e fazer uma bela colcha, um painel bonito e expressivo que se confirma na hora em que o aluno lê um texto (e gosta de ver que sabe ler), na hora em que o aluno escreve um texto (e gosta de ler o que escreveu). E até na hora em que ele faz uma prova, dessas bonitonas que o Governo aplica para dizer que o mérito é dele (mas só quando a coisa melhora). Desculpe! O mérito é da aula que o professor decidiu como ministrar.&lt;br /&gt;A Nomenclatura Gramatical Brasileira feita em 1959 completa cinquenta anos. Em Portugal, onde havia uma nomenclatura oficial nascida em 1967, já se fez outra, rebatizada, pomposa, com bibliografia em francês, inglês e espanhol. E o Brasil? Vamos continuar convivendo com uma neoparafernália de terminologias? Qual a parte que nos cabe nessa Torre de Babel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso nas pessoas, na língua, na gramática, nos nomes – tijolo com tijolo, pau, pedra... caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Prefácio de "Nomenclatura Gramatical Brasileira: cinquenta anos depois": Ed. Parábola, 2009.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-440683056903973741?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/440683056903973741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=440683056903973741&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/440683056903973741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/440683056903973741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/07/academico-02.html' title='Acadêmico (02)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-5913229261736875062</id><published>2009-05-25T07:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T08:46:22.484-07:00</updated><title type='text'>Acadêmico (01)</title><content type='html'>O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO ADVERTE: NÃO ESTUDAR SINTAXE FAZ MAL AO TEXTO, de CCH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo da análise sintática é um dos pontos fundamentais na formação de quem se pretende um usuário competente de sua língua. Duas das habilidades principais de uma pessoa culta repousam nas atividades de ler e de escrever, ações que podem caracterizar não só nossas carreiras profissionais, mas também nossa vida como cidadãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler ou escrever um texto é muito mais do que apenas compreender ou organizar palavras em frases e parágrafos. É algo que envolve um amplo mecanismo a partir do qual o pensamento e as pretensões comunicativas do autor se apresentam para reflexão e avaliação do leitor. Como se constroem esses textos? Com palavras, locuções, termos e orações – elementos que mantêm entre si um relacionamento interno que precisa ser coerente e estar de acordo com as normas prestigiadas pela sociedade letrada. Mesmo quando se pratica intencionalmente algum desvio de linguagem, ele precisa receber uma espécie de carimbo de “permitido” pelo público leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise sintática é a análise das relações. Na estrutura da oração, estudamos as relações que as palavras mantêm entre si na frase. Essas relações são binárias: sujeito &amp; verbo; verbo &amp; complemento; núcleo &amp; adjunto... A tradicional prática de exercícios voltados para o reconhecimento da função sintática de um termo nem sempre garante o real objetivo de sua aplicação. Não se pode dizer qual é a função sintática de um termo se não se encontrar o outro termo com o qual ele se relaciona. Ou seja, não se pode reconhecer que existe um objeto direto sem apresentar a “prova” (o verbo transitivo direto); não se pode afirmar que determinado termo é o agente da passiva sem que seu “parceiro” sintático seja revelado (o verbo na voz passiva). E assim sucessivamente com todos os termos da oração, pois cada um deles só tem a classificação que tem porque possui uma relação com outro termo – e cada uma dessas relações é única, e por isso são dez os termos da oração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sintaxe tem duas parceiras especiais. Uma é a semântica, a ciência do significado. Afinal, o entendimento de uma frase depende da sua estrutura e das sutilezas que envolvem a construção do sentido. Outra é a estilística (a ciência da expressividade), pois compete ao autor da frase fazer as escolhas sobre como será sua organização, a partir do repertório que a língua lhe oferece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, para o estudo da sintaxe do português, há um pré-requisito. Sintaxe e morfologia são assuntos interligados. Ter um bom conhecimento acerca das classes de palavras é fundamental para entender a estrutura de uma oração e de um período. Lembremo-nos, por exemplo, dos tempos de escola, quando estudávamos verbos, substantivos, adjetivos,  advérbios – e suas significações, usos, flexões. Na construção de uma frase, o verbo é o elemento central; o substantivo é o núcleo de um termo; o adjetivo é o elemento periférico ou qualificador de outro; o advérbio, um determinante sobretudo dos verbos. Com isso, queremos enfatizar que o conteúdo aprendido nos estudos de morfologia precisa estar sedimentado quando se pretende estudar sintaxe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ponto muito importante diz respeito aos graus de complexidade e de expressividade de um texto, que se medem a partir de vários parâmetros. Um deles repousa certamente na observação da estrutura sintática de seus períodos e parágrafos. Por isso, o estudo da sintaxe é um dos caminhos para desvendar os mecanismos composicionais escolhidos pelo redator de um texto, sendo a nomenclatura e a fixação das regras básicas do relacionamento sintático apenas estratégias didáticas indispensáveis – embora não sejam o motivo principal do estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto coeso e coerente se organiza a partir de princípios lógicos, entre os quais se incluem os mecanismos relacionais, que partem de uma “relação-micro” como a que existe entre o núcleo de um termo e seu adjunto adnominal, passam por uma “relação-midi”, como a que nos mostra que uma oração é principal porque outra é sua subordinada, e se encerram numa “relação-macro”, que confirma por exemplo que uma redação escolar ou uma coluna de jornal teve começo, meio e fim – o que só acontecerá de fato se tiverem sido seguidas as regras elementares de adição, oposição, reiteração, substituição e conclusão, entre tantas outras regras que se baseiam em ampliações dos mecanismos primários expressos pelos conectivos, conjunções, pronomes relativos, pessoais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caminho do “mundo-micro”, feito com o estudo geral da estrutura da oração, para o “mundo-macro”, estuda-se a estrutura do período (o “mundo-midi”), relembrando que a solidez de conhecimentos do “mundo-micro” é o novo pré-requisito. O domínio sobre o relacionamento que as orações mantêm entre si no enunciado será, então, o penúltimo estágio na busca pela posse do texto, o “mundo-macro”. Nele, tudo se repetirá em tamanho, forma e modelos maiores – mas nada muito diferente do que se tiver estudado desde as pequenas lições que nos ensinaram como se reconhece e se usa um verbo, um substantivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, um texto deve ter uma adequação gramatical compatível com as pretensões e intuitos de seu autor, que – se assim julgar pertinente – procurará atingir o nível de exigência da linguagem padrão praticada por escrito pela comunidade culta em se insere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Sintaxe: estudos descritivos da frase ao texto [com adaptações]: Ed. Campus, 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-5913229261736875062?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/5913229261736875062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=5913229261736875062&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/5913229261736875062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/5913229261736875062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/05/academico-01.html' title='Acadêmico (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-6846181936891048343</id><published>2009-04-21T05:11:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T05:30:25.403-07:00</updated><title type='text'>Poesia (01)</title><content type='html'>LÍNGUA-MAR, de Adriano Espínola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua em que navego, marinheiro,&lt;br /&gt;na proa das vogais e consoantes,&lt;br /&gt;é a que me chega em ondas incessantes&lt;br /&gt;à praia deste poema aventureiro.&lt;br /&gt;É a língua portuguesa, a que primeiro&lt;br /&gt;transpôs o abismo e as dores velejantes,&lt;br /&gt;no mistério das águas mais distantes,&lt;br /&gt;e que agora me banha por inteiro.&lt;br /&gt;Língua de sol, espuma e maresia,&lt;br /&gt;que a nau dos sonhadores-navegantes&lt;br /&gt;atravessa a caminho dos instantes,&lt;br /&gt;cruzando o Bojador de cada dia.&lt;br /&gt;Ó língua-mar, viajando em todos nós,&lt;br /&gt;No teu sal, singra errante a minha voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Beira-Sol, São Paulo: TopBooks, 2001&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-6846181936891048343?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/6846181936891048343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=6846181936891048343&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/6846181936891048343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/6846181936891048343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/04/poesia-metalinguistica-i.html' title='Poesia (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-271791957343681814.post-419069679543632265</id><published>2009-03-24T15:07:00.001-07:00</published><updated>2011-11-02T17:31:38.882-07:00</updated><title type='text'>Crônica (01)</title><content type='html'>DIA DE ESTREIA, de CCH&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meu trabalho de professor de Língua Portuguesa já tive turmas de todos os tipos. Uma vez, porém, ao assumir aulas num curso de Jornalismo da UERJ, resolvi propor aos alunos uma tarefa que os motivasse de modo especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mais ou menos assim. Suponha que você foi convidado para assinar uma coluna numa revista semanal de informação, opinando sobre os temas relevantes da semana. Para inaugurá-la, você deverá redigir um texto com o título "Dia de Estreia".&lt;br /&gt;Os resultados foram muito bons, tanto do ponto de vista de qualidade textual e jornalística quanto pela receptividade dos alunos. Criatividade, originalidade e boa expressão linguística foram a tônica nas "colunas" daqueles jovens que, hoje, com certeza, já devem estar muito bem encaminhados na carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor agora vira aluno e se vê repetindo a tarefa. A diferença é que o veículo é outro e estou dispensado – mas não proibido – de comentar os assuntos mais "quentes" do noticiário recente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo também que meu ofício de professor de Língua Portuguesa dá a esta seção uma certa marca de responsabilidade didática ou pedagógica, mas quero combinar uma coisa com os leitores, em especial num "Dia de Estreia". Reconheço que o compromisso existe e será por mim observado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que não tenho nenhuma pretensão doutrinária. Nossa conversa não será a de um consultório, não darei receitas nem ditarei regras. Se Vila Isabel é um berço do samba, imagino que a coluna do blogue deste vilisabelense pode ser vista como uma "Conversa de Botequim" por escrito. Neste bar, os fregueses gostam de refletir sobre a língua portuguesa, sobre os fatos e usos desta língua companheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Opinar... nada mais do que isso. Lembrar, por exemplo, que falar e escrever são práticas de características bem diversas e que as pessoas se expressam de modos variados conforme as situações e contextos em que se encontram. Aliás, não temos apenas uma língua falada, como não existe apenas uma língua escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparem, por exemplo, como há diferenças na língua oral usada nas entrevistas da televisão. Ela varia de acordo com  o perfil do programa, do entrevistador ou do canal. Bóris Casoy, Jô Soares, Serginho Groisman ou João Gordo? Qual a língua falada que combina mais com você? É ela a única forma de comunicação oral que você pratica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos multilíngues em português brasileiro. E, de vez em quando, ainda precisamos ser poliglotas também na lusofonia. Afinal, uma nação de mais de 170 milhões de habitantes tem muito a fazer no cenário das comunidades de língua portuguesa, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquem bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte: publicado no Jornal de Vila Isabel (n. 320), em setembro de 2003.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/271791957343681814-419069679543632265?l=blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/feeds/419069679543632265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=271791957343681814&amp;postID=419069679543632265&amp;isPopup=true' title='32 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/419069679543632265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/271791957343681814/posts/default/419069679543632265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogclaudiocezarhenriques.blogspot.com/2009/03/dia-de-estreia_24.html' title='Crônica (01)'/><author><name>Claudio Cezar Henriques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17899897520068650545</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>32</thr:total></entry></feed>
